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A Estratégia do Google e a compra do YouTube

Por Lucas Reis

A edição da revista Exame do dia 30 de outubro traz uma reportagem intitulada “A verdadeira Tv Digital” em que fala da proliferação dos serviços de vídeos online e de como o conteúdo da Tv tem migrado para web através deles. A matéria traz alguns dados interessantes, mas, na minha visão, tem uma entonação levemente “corporativista” ao defender o modelo dos serviços de vídeo mantidos pelas grandes corporações midiáticas, e afirmar que o YouTube tem agora o desafio de enfrentar esses serviços e se mostrar viável. Discordei desse ponto de vista numa conversa aqui no Observatório  e afirmei que eram os novos serviços que tinham de se afirmar, já que são vistos mais de 100 milhões de vídeos diariamente no Youtube, que hospeda milhões de vídeos e gera mais de US$ 200 milhões de receita. E foi nesse ponto que a minha afirmação foi desafiada: o Youtube gera um prejuízo ao Google, o seu proprietário, da ordem de US$ 100 milhões ao ano. Mas, aqui cabe uma reflexão.

Podia argumentar que os serviços de vídeos da Globo e da CNBC também não geram receitas magníficas aos seus proprietários, mas queria chamar atenção para outro aspecto. O YouTube foi uma aquisição estratégica do Google, e deve ser entendido dessa maneira.

O Google aceitou pagar US$1,6 bilhões de doláres por um site de compartilhamento vídeos, porque esse lhe oferecia pelo menos quatro grandes atrativos: uma audiência grande e crescente; um serviço que tende a ser usado frequentemente pelos usuários; a possibilidade de capturar dados importantes sobre uma enorme audiência; e um grande potencial de gerar receitas publicitárias.

Ou seja, o YouTube vai ao encontro do objetivo do Google de tornar a internet cada vez mais presente no cotidiano das pessoas, contribui para que a empresa cumpra a sua missão de organizar toda a informação mundial, é visto por milhões de pessoas que ao assistir os vídeos deixam informações sobre seus gostos, desejos etc. Essas informações podem ser usadas para otimizar os resultados do negócio principal do Google: exibir anúncios contextuais segmentados ao nível do indivíduo.

Além disso, o YouTube torna a marca “Google” ainda mais presente no dia a dia do internauta, o que fortalece o brand da companhia. Não à toa, o Google foi eleito a marca mais admirada na Inglaterra e uma das mais valiosa dos EUA. Por fim, a sua enorme audiência, a sua boa imagem (no sentido corporativo) e seu uso contínuo, tornam o YouTube um serviço com grande potencial de gerar receitas publicitárias. Por que não gera, então? Ora, porque ainda não se chegou num modelo publicitário que atenda às expectativas e necessidades dos internautas, anunciantes e do proprietário do YouTube. Até chegar a esse modelo, o Google tem fôlego de sobra para manter o YouTube funcionando bem e gratuitamente. Enquanto isso, o serviço de vídeos vai contribuindo de diversas maneiras, além da financeira, para que o Google continue gerando receitas e lucros recordes.

Enfim, se tivermos um olhar tacanho e relacionarmos o quanto o YouTube custa e o quanto gera de receita hoje, então trata-se de uma mal negócio. Mas, se o olhar for estratégico e se correlacionarmos o custo do YouTube e o quanto ele gera de valor ao Google e o seu potencial de gerar ganhos no longo prazo, então é um excelente negócio.

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