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Algumas perspectivas sobre interatividade

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Com o surgimento das tecnologias digitais tornou-se comum e corriqueiro utilizar palavras como interação ou interatividade tanto na publicidade para caracterizar objetos eletrônicos como também no campo acadêmico. Apesar disso, estes são conceitos ainda incipientes e imprecisos, o que se traduz, principalmente no campo científico, como uma limitação. Nesse caso, o uso indiscriminado de tais conceitos, sem uma investigação mais aprofundada e sistematizada, perde-se de vista toda a sua complexidade e recai sobre significados os mais variados e quase sempre pouco efetivos.

Nesse sentido, Alex Primo faz uma sistematização dos pensamentos que tem se voltado para a questão da interação criticando alguns enfoques que julga limitados, incompletos (ou às vezes até equivocados) em relação a uma compreensão mais completa (e por isso complexa) do fenômeno da interatividade. Para não ficar somente na crítica infrutífera, ele sugere, por fim, uma abordagem sistêmico-relacional para o que ele vai chamar de interação mediada por computador. Antes de entrarmos, portanto, na questão da abordagem sistêmico-relacional, é importante que passemos pelos enfoques criticados por ele.

Com uma forte influência do ultrapassado modelo matemático da comunicação, o chamado enfoque transmissionista trata da interação como uma simples transmissão de mensagens. Seguindo a cola de estudos de caráter técnicos voltados para a transmissão telefônica, essa perspectiva coloca a comunicação como um fenômeno linear onde uma mensagem produzida através de um código por um emissor percorre um canal e chega ao receptor. Quando uma complexidade maior era inserida nesse modelo, esta se resumia a uma bidirecionalidade na qual há um fluxo de mensagens em mão-dupla.

Uma segunda vertente da abordagem da interação seria o enfoque informacional. Os estudos que adotam este viés possuem seu foco basicamente nas possibilidades de escolha, nas alternativas disponíveis ao sujeito da interação. Dessa forma o que caracterizaria o grau de interatividade de um sistema comunicacional mediado por computador seria a quantidade respostas possíveis a um pólo da relação mediante ações do outro, numa simples relação de estímulo-resposta. Esse enfoque, além de também desconsiderar toda a complexidade de uma relação entre humanos, ainda que mediada, parece não atentar para o fato de que tais escolhas, em muitos dos sistemas ditos interativos, sempre são limitadas e definidas previamente por um programador.

Já no enfoque tecnicista a discussão se distancia mais ainda dos sujeitos da interação quando vai privilegiar apenas o desempenho do canal como determinate da interação. Ainda sob a lógica de um modelo estímulo-resposta, a interação aqui é reduzida a aspectos como a velocidade com que determinado sistema envia uma resposta a uma ação do sujeito, definindo-se como uma participação em tempo real onde se pode alterar forma e conteúdo. Justamente quanto à atenção demasiada e exclusiva à capacidade do canal, Alex Primo tenta defender, com a sua abordagem proposta, que “a interação não devve ser vista como uma característica do meio, mas como um processo desenvolvido entre os interagentes”.

Por fim, o enfoque antropomórfico confere ao carater conversacional das relações mediadas por computador o papel de definidor do grau de interatividade. Temos aqui, portanto, uma definição metafórica da interação como diálogo. Bastaria então que um processo envolva uma troca sucessiva de mensagens (o que incluiria tanto uma conversa por msn quanto uma simples navegação pelo sistema operacional Windows) seria tido como interativo.O problema desta abordagem está justamente no sentido metafórico do diálogo. Utilizar uma metáfora nesse caso se revela, para um olhar mais atento, uma armadilha, pois com isso confunde-se um fenômeno real (o diálogo propriamente dito) com uma mera imitação, simulação desse fenômeno, que obviamente não possuirá todas as características daquele.

O enfoque sistêmico-relacional
Tais enfoques, em certa medida, partem de estudos da comunicação de massa – igualmente simplistas e planificados – para analisar a interação. Indo por um outro caminho, o modelo sistêmico-relacional proposto por Alex Primo vai buscar nos estudos sobre comunicação interpessoal e sobre a teoria sistêmica uma forma de valorizar o aspecto relacional da interação e a complexidade do sistema interativo.

Essa perspectiva propõe uma epistemologia da forma, que busca destacar os padrões de interação em vez dos atos individuais, os inter-relacionamentos em vez da causalidade unilateral. Dessa forma, a interação é tratada aqui como uma totalidade processual dotada de propriedades que ultrapassam as partes analisadas isoladamente. O direcionamento dado por esse enfoque leva em conta que a comunicação não pode ser vista apenas como uma coleção de contribuições individuais, mas deve valorizar os processos que integram as ações dos comunicadores.

Como exemplo desse enfoque sistêmico dos processos interativos, o autor nos traz exemplos bastante esclarecedores. Um deles é a visão binocular. Ele explica que cada olho humano possui uma visão monocular que juntos conferem à visão uma sentido de espaço diferenciado daquele permitido por cada olho separadamente. Outro exemplo citado é a amizade. Ao se voltar para uma amizade entre duas pessoas, deve-se dar menos atenção às características dessas pessoas em si para focar mais na maneira como tais características se atualizam, se manifestam no âmbito da relação entre tais pessoas.

É através de questões como essa que a chamada pragmática da comunicação humana, legado da Escola de Palo Alto, se torna essencial para o desenvolvimento dessa perpectiva. Trata-se de uma maneira de se posicionar em frente ao nosso objeto de estudo, a interação, de forma que deixa-se de se investigar simplesmente o interagente individual ou analisar apenas as mensagens, para analisar os relacionamentos em toda sua dimensão complexa. Portanto, modelos como emissão/recepção, ação/reação ou estímulo/resposta não fazem sentido para uma abordagem pragmática.

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